segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Os heróis


Esses verdadeiros mártires da liberdade, do empreendedorismo e do desenvolvimento que são os empresários que industriam por esse país afora por um rectângulo mais justo descobriram agora com a crise que não incapazes de cumprir o que acordaram em 2006: até 2011 o salário mínimo chegaria aos 500 euros. Quando se fala em confiança também é dito que se fala. Revela-se neste recuo grande parte da cultura empresarial que governa este país.
Quem não fala destas questões, com honrosas excepções, são os bloggers aqui da prédio. É muito menos sexy do que debater os minaretes (curiosa palavra, como dizia o outro). Já depois de o Estado ter cedido no valor da taxa social única, a CGTP, com inteira razão, considera que este recuo para os 460 euros (o aumento este ano deveria ser dos 450 para os 475) é inaceitável.
Vale a pena salientar (sobretudo se tivermos em conta as mudanças na direcção do jornal) o excelente balanço que o Público faz dos acontecimentos, realçando o facto de o salário mínimo ter vindo a perder poder de compra nos últimos anos.

Da inércia

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Autodefinições

Será que a proibição dos minaretes na Suiça também vai passar a integrar as definições identitárias do ocidente e a intolerância e a estupidez vão passar a ser atributos dos quais determinadas pessoas se vão reclamar ao jantar com os amigos?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

do activismo queque

Os intitulados "amigos do Jardim do Príncipe Real", gente civilizada usualmente com mais de dois apelidos, promoveram uma petição contra a requalificação do dito jardim realizada pela Câmara Municipal de Lisboa. Advogam que as árvores cortadas não estavam doentes ou sem vida mas apenas velhas, e estão contra o facto de terem sido retirados "gradeamentos que estavam em perfeito estado e protegiam da incivilidade de muitos dos nossos concidadãos alguns dos canteiros".
A prova do abastardamento da elite nacional é que esta mesma petição me veio parar à caixa do correio. Eu que comprei a minha comenda em saldo e que odeio gradeamentos nos jardins, bem como canteiros, perfilhando o princípio democrático que a relva e o espaço verde são para os cidadãos pisarem e rebolarem, saltarem e usufruírem de forma genérica.

E agora, como viver sem os gradeamentos que nos protegem dos cidadãos incivilizados? Talvez comprarem uma casa num condomínio privado, longe dos incivilizados e um com um alto gradeamento de cimento, com cancela e guarda.

Os gradeamentos, esse problema fulcral das sociedades contemporâneas. E assim vai o activismo queque.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

arte


Retirado do infame Spectrum.

domingo, 22 de novembro de 2009

Black Bloc

O renascer do movimento estudantil em Portugal, depois de anos de modorra, ficou marcado pela elevada participação de manifestantes do black bloc. Esperam-se tempos agitados.


Desemburkadas ou os excluidos do interior


Em Paris, as comemorações pelo apuramento da selecção argelina para o campeonato do mundo desembocaram em motins. O "novo espírito" francês depois da vitória no campeonato do mundo de 1998 já deu novamente lugar ao velho espírito dos antigos senhores coloniais, que ainda não suportam ver os indígenas nas ruas a dançar. À dança dos mélons responderam com balas de borracha. A isto responderam aquelas belas moças com um vivaz nique la police. Não consta que as moças estivessem emburkadas, como as imagens demonstram.